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Quando matam um Sem Terra

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Estou participando, menos até do que gostaria, e ajudando o pessoal da Comissão Organizadora do 53º Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia, que acontece até domingo em Santa Maria.

Como estou na organização, acabo não participando muito das atividades do CONEA, porém ontem assisti ao show do músico, cantor, compositor, e como pessoalmente prefere, trovador, Pedro Munhoz. Segue abaixo um marcante poema de Munhoz sobre a morte do sem terra Elton Brum, em São Gabriel no Rio Grande do Sul. Aliás, a morte de Elton e especificamente a porca cobertura da RBS TV já foi assunto aqui no blog.

Quando matam um Sem Terra - Pedro Munhoz

Quem contar traz à memória,
sabendo que a dor existe,
quando a morte ainda insiste,
em calar quem faz a História.
Pois quem morre não tem glória,
nem tampouco desespera,
é um valente na guerra,
tomba, em nome da vida.
Da intenção ninguém duvida,
quando matam um Sem Terra.

Foi assim nesta jornada,
quando mataram mais um,
o companheiro ELTON BRUM,
não teve tempo pra nada.
Numa arma disparada,
o Estado é quem enterra
e uma vida se encerra,
em nome da covardia.
Toda a nossa rebeldia
quando matam um Sem Terra.

É o desatino fardado,
armado até os dentes,
até esquecem que são gente,
quando estão do outro lado.
E vestidos de soldado,
todo o sonho dilacera,
violência prolifera
tiro certeiro, fatal.
Beiram o irracional,
quando matam um Sem Terra.

Quem és tu, torturador,
que tanta dor desatas,
desanima e maltrata
o humilde plantador?
Negas a classe, traidor,
do povo tudo se gera,
te esqueces deveras,
debaixo de um capacete.
Dá a ordem o Gabinete,
quando matam um Sem Terra.

Em algum lugar da pampa,
ELTON deve de estar,
tranquilo no caminhar,
jeito humilde na estampa.
E algum céu se descampa,
coragem se retempera,
outras batalhas se espera,
dois projetos em disputa.
Não se desiste da luta,
quando matam um Sem Terra.

Quem quiser conhecer um pouco mais o trabalho de Pedro Munhoz pode acessar o site: http://www.pedromunhoz.mus.br/

Escrito por jlzasso

29/07/2010 em 01:19

Lições do Conune

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Estive de quinta até domingo em Brasília participando do Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), no evento consegui compreender melhor como funciona o Movimento Estudantil (ME) atualmente no Brasil.

logo-51-conune

Alguns pontos devem ser ressaltados, sobre o ME e sobre a 51º Edição do Conune:

1) É nítido demais que o ME brasileiro é pautado pelas ações do governo federal, e as posições defendidas pelos diversos setores acabam sempre sendo reflexo de uma posição pró ou contra o governo Lula. A culpa deste cenário em muito é da UJS (União da Juventude Socialista), ligada ao PC do B e que está a frente da UNE desde 1991. Atualmente, a UNE apenas reage, sempre de forma favorável, a qualquer projeto do governo Lula. Esta postura da direção da entidade, acabar por pautar e por dividir o ME em os que apóiam o presidente e os que não apóiam o presidente Lula.

2) A UJS se mantém no poder desde 1991 em muito por uma política ultrapassada, que lembra muito mais as velhas práticas políticas brasileiras, combatidas pela sociedade já há algum tempo. Percebe-se que muitos dos delegados da majoritária da UNE não tem envolvimento com o ME em suas universidades, e estão ali apenas para referendar as propostas, sem discussões.

3) Havia muitas mesas de debates no Conune, porém o fato de serem concentradas em um único dia inviabilizou uma participação mais efetiva. Os temas estavam muito atraentes, entretanto a forma como foram organizados, onde os palestrantes apenas davam o seu ponto de vista e depois era aberto para considerações dos participantes, impossibilitou que houvesse verdadeiramente um debate.

4) A eleição no Conune é extremamente precária e confusa. Há uma certa campanha de algumas correntes por eleições diretas na UNE. Por mais que o discurso seja bonito, sabe-se de antemão que ele privilegiará alguns grupos, que serão os fortemente apoiados por seus partidos políticos. Entende-se daí o motivo de a JPMDB, juventude de um partido sem identidade, mas com muito dinheiro e espalhado pelos grotões do país, ser a maior defensora da ideia.

5) Apesar de discordar dos métodos anti-democráticos da UJS no comando da UNE, não posso negar que concordo com boa parte das bandeiras defendidas, a maioria de consenso no ME.

6) Percebi que na UFSM, universidade onde estudo, a atual gestão do DCE tem uma política acertada, comprometida com a democracia, combativa, séria, propondo debates e acima de tudo, responsável. Independente de ideologia, esse seria o modelo ideal para o ME brasileiro.

Foi um grande aprendizado ter participado do Conune, volto “mais vivo” e com a certeza de saber o que fazer na minha universidade e no meu curso. Participar do Movimento Estudantil cria novas visões de mundo e tenho me tornado mais crítico. É bem verdade que a UNE passa por uma crise de legetimidade perante os estudantes brasileiros, e isso é algo que precisa ser melhorado, mas começa de cima, começa com uma mudança de postura da UNE, hoje tão institucionalizada. Não acredito que essa mudança venha com Augusto Chagas, o novo presidente da entidade, porém torço para que ele faça um excelente trabalho frente a União Nacional dos Estudantes.

Escrito por jlzasso

22/07/2009 em 13:51

Publicado em Pessoal, Política

Blog Novo, Vida Nova

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Talvez as leituras que termineipoucos minutos tenham reascendido a vontade de ter um blog que eu de fato o levasse a sério. A escolha do wordpress para a criação do Contextualizado é pela ideia mais séria que ele apresenta em relação ao blogspot e meu antigo blog, o A Contratio Sensu (http://acontratiosensu.blogspot.com). O A Contratio foi um marco para mim, tenhotextos que escrevi e que tenho para com eles muito carinho, porém não o dediquei o tempo que gostaria. No Contextualizado espero fazer, pelo menos, um texto a cada dois dias.

Os assuntos não mudaram muitosempre futebol e política; às vezes cinema, música, literatura, religião, história. Já o layout mudará bastante, por dois motivos muito claros: o primeiro que o wordpress possibilita uma gama de recursos bem mais variada que o blogspot; o segundo motivo é que o um blog mais profissional criará um compromisso maior de minha parte, pelo menos é o que eu espero.

Coisas estranhas sempre acontecem: com o Contextualizado foi assim, um fruto do acaso e de uma vontade súbita. Se eu estou agora escrevendo estas linhas, a culpa é inteira de um único acontecimento: ter pegado exame, por muito poucos décimos, em Jornalismo Digital I. No meio de uma intensa leitura – sobre blogs, jornalismo participativo, web 2.0 e outros assuntos relacionados – este blog foi criado. Há males que vêm para o bem, não? Pois é, que assim seja

Escrito por jlzasso

13/07/2009 em 03:06

Publicado em Pessoal

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