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JN e Cuba – Choque de Gestão?

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Me deixou bastante curioso uma das manchetes do Jornal Nacional na noite de hoje, “Cuba anuncia a demissão de meio milhão de empregos públicos”. Fiquei igualmente frustrado com a pequena nota que o JN dedicou ao tema, limitando-se a anunciar que Cuba que a maioria dos trabalhadores em Cuba são funcionários públicos e que os 500 mil demitidos pelo governo terão que trabalhar para a iniciativa privada.

Não entendi por que uma simples nota mereceu uma manchete do Jornal Nacional, esperava que pelo destaque dado fosse maior que míseros 15-20 segundos. Mas o que de fato aconteceu em Cuba? A julgar pela nota do JN, um choque de gestão, com cortes de verbas e despesas, visando desinchar o serviço público e abrir o mercado para empresas privadas. Em suma, é como se depois de 52 anos, a revolução tivesse sucumbido ao neoliberalismo!

Há muitas indagações que podem ser feitas sobre o regime dos irmãos Castro, e uma crítica mais profunda jamais poderia deixar de fora o contexto histórico que levou Fidel ao poder e o mundo polarizado da Guerra Fria, os direitos humanos e o bloqueio imposto pelos Estados Unidos, mas o bom jornalismo, mesmo limitado pelo escasso tempo da Televisão, não pode omitir fatos de maneira tão descarada e grotesca.

Diferente do que fez pensar o JN não se trata de um choque de gestão à moda demo-tucana. Consultando o material disponibilizado pela Agence France-Presse (AFP) e noticiado pelo Portal Terra,  descobre-se de cara que não foi bem assim. Logicamente, Cuba está passando por reformas, e segundo afirma a Central de Trabajadores de Cuba, a redução abre espaço para outras formas de trabalho que não o estatal “como o arrendamento, o usufruto, as cooperativas e o trabalho por conta própria”.

A AFP noticia, e não poderia ser diferente, que muitas pessoas estão preocupadas com o fim da estabilidade que o funcionalismo público representa, e por mais que o regime comunista implantado em Cuba seja passível de criticas, afinal todos os sistemas de governo são, inegavelmente o anunciado hoje foi uma atualização coerente com os princípios da Revolução, considere-se isso bom ou não.

Demonstrar uma visão deturpada de alguns fatos e omitir outros não é função do bom jornalismo, engana e ataca a democracia. O público confere ao jornalista e os órgãos de imprensa o poder de ser informado, e o jornalismo escolhe aquilo que julga ser de interesse público e do público, por isso se deve ter cuidado com a informação, mesmo em uma simples nota de 20 segundos.

Goveno cubano elimará um milhão de empregos públicos – Portal Terra

Pronunciamiento de la Central de Trabajadores de Cuba

Escrito por jlzasso

13/09/2010 em 21:18

Quando matam um Sem Terra

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Estou participando, menos até do que gostaria, e ajudando o pessoal da Comissão Organizadora do 53º Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia, que acontece até domingo em Santa Maria.

Como estou na organização, acabo não participando muito das atividades do CONEA, porém ontem assisti ao show do músico, cantor, compositor, e como pessoalmente prefere, trovador, Pedro Munhoz. Segue abaixo um marcante poema de Munhoz sobre a morte do sem terra Elton Brum, em São Gabriel no Rio Grande do Sul. Aliás, a morte de Elton e especificamente a porca cobertura da RBS TV já foi assunto aqui no blog.

Quando matam um Sem Terra - Pedro Munhoz

Quem contar traz à memória,
sabendo que a dor existe,
quando a morte ainda insiste,
em calar quem faz a História.
Pois quem morre não tem glória,
nem tampouco desespera,
é um valente na guerra,
tomba, em nome da vida.
Da intenção ninguém duvida,
quando matam um Sem Terra.

Foi assim nesta jornada,
quando mataram mais um,
o companheiro ELTON BRUM,
não teve tempo pra nada.
Numa arma disparada,
o Estado é quem enterra
e uma vida se encerra,
em nome da covardia.
Toda a nossa rebeldia
quando matam um Sem Terra.

É o desatino fardado,
armado até os dentes,
até esquecem que são gente,
quando estão do outro lado.
E vestidos de soldado,
todo o sonho dilacera,
violência prolifera
tiro certeiro, fatal.
Beiram o irracional,
quando matam um Sem Terra.

Quem és tu, torturador,
que tanta dor desatas,
desanima e maltrata
o humilde plantador?
Negas a classe, traidor,
do povo tudo se gera,
te esqueces deveras,
debaixo de um capacete.
Dá a ordem o Gabinete,
quando matam um Sem Terra.

Em algum lugar da pampa,
ELTON deve de estar,
tranquilo no caminhar,
jeito humilde na estampa.
E algum céu se descampa,
coragem se retempera,
outras batalhas se espera,
dois projetos em disputa.
Não se desiste da luta,
quando matam um Sem Terra.

Quem quiser conhecer um pouco mais o trabalho de Pedro Munhoz pode acessar o site: http://www.pedromunhoz.mus.br/

Escrito por jlzasso

29/07/2010 em 01:19

On top of the world: Why Brazil is booming

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The Independent – 9/6/10

http://www.independent.co.uk/news/world/americas/on-top-of-the-world-why-brazil-is-booming-2022103.html

It is a 100th birthday party in a well-to-do postcode of Sao Paulo, where the house of our journalist host – he and another writer pal are actually each turning 50 – slips graciously down a slope to a terrace and the chatter is nearly all politics. Then the DJ cuts the music in the middle of a samba everyone knows. They reflexively fill in: “Ò coisinha tão bonitinha do papai”  - ”Oh daddy’s beautiful little thing”.

Blessed in show: The refurbished Christ the Redeemer statue at the Corcovado hill, in Rio de Janeiro

Blessed in show: The refurbished Christ the Redeemer statue at the Corcovado hill, in Rio de Janeiro

Not everything in Brazil is beautiful. Not the slums, or favelas, which ring cities like this one or Rio de Janeiro, or last Saturday’s national glee when Argentina – neighbour and perennial rival – crashed out of the World Cup one day after the Brazilian squad’s humiliating Dutch demise. (“Que desgraca!” squealed an old man when the stricken face of Diego Maradona filled the TVs in a bar on Sao Paulo’s Teodoro Street.)

Yet you cannot spend a day in Brazil without sensing the economic miracles happening here – first quarter growth touched 9 per cent and the helicopter pads atop the skyscrapers of Sao Paulo are buzzing with air traffic again – or hearing of the achievements of its President, Luiz Inácio Lula da Silva, recently named the world’s most influential leader by Time Magazine, in raising the country’s profile on the world stage and lifting much of the population out of poverty. The somewhat lefty party-goers were not actually thinking of Lula and Brazil as they sang about daddy and his baby, but they could have been.

The legacy of President Lula, a former lathe operator, is a conversation point if only because the race to succeed him kicks off this week. The constitution bars him running for a third term. While his hand-picked successor in the ruling Workers’ Party, Dilma Rousseff, is an electoral virgin (she was his chief-of-staff), polls suggest she will prevail on election day in early October, thwarting the hopes of conservative opposition leader José Serra, a respected former governor of Sao Paulo state.

Ms Rousseff will inherit a country bursting with fruit. As if it wasn’t enough that Brazil was already to host the next soccer World Cup, Rio de Janeiro last year barged aside Chicago to win selection as host city to the 2016 Summer Olympics. This as Brazil rushes to exploit vast reserves of oil off its shoreline close to Rio. Rather than giving them pause, the crisis afflicting the deep-sea drilling industry in the Gulf of Mexico is if anything spurring Brazil to move more quickly to increase production. Oil revenues now stand at 12 per cent of the national GDP and may rise to as much as 20 per cent.

It is a country that has moved far beyond the clichés of its international brand – the contours of its tanned beach-goers and catwalk models. Brasilia is agonising about keeping control of its economic boom while the rest of us are squabbling about the respective benefits of deficit-slashing austerity versus stimulus spending. (President Lula apparently thought that debate sufficiently boring that he did not show up to the recent G20 summit in Canada citing flooding in north-eastern Brazil.) The chatter, at this party and elsewhere, risks running away with itself. “They get a little bit carried away,” a correspondent for a foreign news agency whispers, citing Brazilian diplomats telling him that China is investing in Brazil so feverishly because it sees it overtaking the United States soon as its most important export market. Come now.

Look hard enough and you will find sensible people in Brazil willing to identify those things that are not going so well, like the failure to invest in infrastructure (Sao Paulo’s international airport is grittier than a Greyhound bus stop), Brazil’s inability to upgrade school-age education and the still utterly byzantine ways of its bureaucracy and taxation system. Steve Jobs recently rejected a plea from the city government in Rio de Janeiro to open an Apple shop there. He shot back that the “super-crazy” tax system in Brazil “makes it very unattractive to invest in the country” and that “many high-tech companies feel that way”. In all the pro-Brazil hoopla, this rude rebuff by Jobs registered with no one except a few attentive bloggers.

That Brazil is on the move, threatening to leave its similarly aspiring neighbours like Argentina and Mexico in the dust, is no longer in dispute, however. China has been in the know for years, but that is because it long ago turned to Brazil for so many of its desperately needed raw materials – everything from soy to iron ore to lumber. Now others are starting to pay attention. If Brazil, the B in the so-called BRIC group of fast-emerging nations (the others are Russia, India and China), is indeed on a path towards eventually joining the ranks of the developed nations, no one wants to be caught by surprise.

Thus the awful international airport in Sao Paulo is fit to burst only in part because Brazilians are discovering that having a relentless rising currency – the real – is a marvellous thing when travelling abroad. Adding to the traffic are the foreign businessmen and investors galloping into town, cheque books at the ready, to find out what is going on and how they can share in the suddenly exploding pie.

“I never imagined Brazil really becoming such a strong country, especially how it has in the last 10 years,” muses Carlos Jereissati, chief executive at Iguatemi, Brazil’s largest chain of shopping centres. “Everyone is looking at us and saying: ‘Wow, these people are really growing – they have the economy, they have the oil, they have the Olympics and the World Cup, we need to pay attention!’”

No one knows this better than Mr Jereissati who travels to London, New York, Paris and Milan to lure new luxury brands to his malls. Diane von Furstenberg, the fashion designer, recently opened her first Brazil outlet in Iguatemi’s flagship mall in Sao Paulo. She says it has been the best opening in her company’s history, selling “over a million dollars in its first six weeks of business”. The boom means Mr Jereissati is ready to expand and quickly. “While it took us 20 years to do eight malls, we are probably going to do twice that in the next five years – we have a lot of money to do things.” That is thanks largely to the expansion of the middle classes and their growing spending power.

And the ball just keeps rolling. The day we meet, Mr Jereissati, whose uncle is a senator in the party of José Serra and whose brother runs Oi, Brazil’s biggest landline telephone company, is getting ready to entertain the bosses from the leather goods purveyor, Goyard, from Paris. And this Monday he was to play host to François-Henri Pinault, whose group includes Gucci, Christie’s and Yves Saint Laurent (and whose wife is Salma Hayek). “In the past, maybe the second or third level of the company would come to see what opportunities are here. Now it’s the main man who comes,” Mr Jereissati notes.

Telling also are the beginnings of a reverse of the trend where young, privileged Brazilians assumed they would go abroad for university and quite likely their careers. It’s the route that Julio Vasconcellos, now 29, followed. But having been in the US for 10 years, most recently in Silicon Valley in California, he talked to a friend over the New Year about a possible internet start-up in Brazil. They dreamed up peixeurbano.com – urban fish – where consumers learn about retail bargains. On a Wednesday in March, he tells me, he arrived in Rio de Janeiro – more specifically in the hip Botafogo district – and by the Thursday the site was up. He employs 40 people and is interviewing for 30 more positions.

“I just felt it was the right time to come back,” he said. “You are starting to see people who are more open-minded and with a more international focus looking at Brazil as an opportunity and making bets on it in the same way people in the 1990s made bets on China.” The horizon in internet development may be particularly wide and rich. “Every day I have a meeting with a different partner and five different ideas come to my head that would be huge business in Brazil that nobody is doing anything about. You can’t do that in Silicon Valley.”

While Brazil remains, according to the World Bank, one the worst countries for the gap between the rich and poor, the income divide has begun to close in the nearly eight years of President Lula. True the favelas, running with sewage, guns and drugs, remain a feature of the urban landscape, especially in Rio de Janeiro where more than just cosmetic surgery will be required before the 2016 Games. But the number living in poverty has fallen during his two terms from about 50 million to 30 million. Studies meanwhile point to slightly more than half of all Brazilians now belonging to a socio-economic group broadly described as lower middle class. They will not visit Gucci in Mr Jereissati’s malls, but they will go to the less flashy retailers like C&A or Topshop when it makes its debut in Brazil next year.

Brazil has been lucky, both finding its reserves of oil and in its partnership with China, which has helped considerably to drag it into greater prosperity. (Were China to trip, Brazil may fall hard.) President Lula also inherited an economy that, after the catastrophe of hyper-inflation in the early 1990s, had already been transformed by the policies of his predecessor, Fernando Henrique Cardoso. But, even his detractors agree that despite his past as a leftist union organiser, he has shown an unexpectedly steady hand guiding the economy and that his welfare policies have been crucial in ensuring that Brazil’s rising tide has lifted most, if not all, boats.

That is not to say Brazil is set for good. Some economists worry of bubble conditions forming and warn especially about gushing capital flows into the country and the ceaseless upward movement of the currency. It’s not just that dinners in Sao Paulo now cost as much or more than in Manhattan. The supercharging of the real also threatens to stunt any move in Brazil away from a commodities economy to a manufacturing one because as an exporter it is becoming ever less competitive.

Gustavo Ioschpe, an economist and columnist for the weekly magazine Veja, scoffs at the notion that Brazil is within years of entering the club of truly developed countries. President Lula, he says, has done nothing to tackle political corruption or the country’s woeful infrastructural problems. Only 10 per cent of its roads are paved and at harvest time, lorries can be seen lining the roads to the over-stretched ports, their cargos of soy rotting in the sun. To the mortification of its nearly 20 million residents, Sao Paulo has been told by FIFA that plans to upgrade its only significant football stadium are so inadequate that no matches will take place in the city during the next World Cup.

But the biggest worry for Mr Ioschpe, formerly of Goldman Sachs, has been the refusal of the “anti-intellectual” President Lula to do anything serious about education. That all children now have the right to attend schools, to be taken to them on buses and fed lunch, is not good enough if they don’t learn to read and write, he says. “This is our biggest challenge and most likely the one that will take the longest to be fixed and the one that will have the greatest negative impact. Building roads is one thing, but how is it that Brazil still does not know how to do the most simple of all things which is to make 7- and 8-year-old kids literate? It’s incredible. That has been mastered by the developed world for last 200 years and even by our neighbours like Argentina and Chile for the last 100 years.”

Nor is it clear that the other plank of President Lula’s legacy, his South-South foreign policy which has seen Brazil aggressively strengthen diplomatic and trade ties with Third World governments for example in Africa where he is today, will turn out to be all good for his country. What the Wall Street Journal has called “his dance with the despots” has seen President Lula chumming with the likes of Hugo Chávez, Raúl Castro and Mahmoud Ahmadinejad who lead countries that are several prison camps the wrong side of being democracies. Some diplomats in New York believe that President Lula’s recent visit to Tehran – where with Turkish help, he negotiated a faux-solution to its nuclear stand-off with the West – so irritated Washington and other capitals that Brazil’s campaign for a permanent seat on the UN Security Council has been set back years.

Now on a tour of African states, President Lula was asked whether he was campaigning to be the next Secretary General of the United Nations. It was just his style to reply that he had no interest because the job is for a “bureaucrat” and he, essentially, is above it. Both Brazil and President Lula are occasionally accused of hubris and it is easy to see why. Perhaps it is for the best then that when he attends the closing ceremonies of the World Cup in South Africa on Sunday, it won’t be Brazil that goes home with the trophy. That would surely have made both daddy and child beyond smug, even insufferable.

Escrito por jlzasso

11/07/2010 em 02:02

Publicado em História, Política

Sobre Cruzes

com 3 comentários

Andando de coletivo pela avenida Nossa Senhora das Dores, no município de Santa Maria, ao passar pela Igreja das Dores, tem algo sempre me chama a atenção, e o gesto geralmente é repetido logo mais adiante ao passar pelo Santuário Schoenstatt. Muitas pessoas no ônibus fazem o “sinal da cruz”, manifestação de fé, ou mesmo de respeito e costume. É algo estranho para mim, mesmo criado em família católica praticante, neto de ex-seminarista, isso nunca foi um hábito e nunca presenciei isso em Ijuí, porém admito que tenho certa admiração pelo povo, seja ele qual for, que demonstra a sua fé.

Esse significado da Cruz para o Cristianismo é conhecido e, obviamente, não há a necessidade de explicar a motivação do “sinal da Cruz”. Mas gosto do gesto, pois me parece que algo espontâneo e, além do mais, a afirmação de uma fé. Porém, a minha opinião em relação à cruz muda completamente quando a vejo pendurada na parede de uma repartição pública.

Há uma polêmica levantada pelas discussões do PNDH3, uma cruz em uma repartição pública fere ou não fere a laicidade do Estado brasileiro? Respondo categoricamente, fere! Retirar cruzes das paredes dos prédios públicos é atentar contra a liberdade religiosa? Não!

Cruz na Câmara dos Deputados

Cruz na Câmara - Acima dos deputados, o símbolo do Cristianismo em um Estado laico

O Brasil tornou-se laico em 1889, com a proclamação da república. Foi uma evolução natural, a separação da Igreja e do Estado já era difundida entre os regimes republicanos. Do lado da Igreja, coube ao  Papa reformador Bento XV, principalmente após o armísticio em 1918, ratificar esta posição. O caráter laico pressupõe que o Estado não deve dar preferência a nenhuma religião ou credo, e que deve garantir a liberdade religiosa. Quando cruzes são vistas na decoração em espaços da administração pública, o Estado brasileiro, contrariando a laicidade, dá preferência a crença cristã em detrimento das demais religiões, um verdadeiro desrespeito com judeus, muçulmanos, umbandistas e tantas outros adeptos das mais variadas religiões.

Quando um cidadão brasileiro católico carrega uma cruz, um cidadão brasileiro judeu exibe seu quipá ou uma brasileira que professe a fé islâmica faz uso do véu, é uma afirmação da liberdade religiosa e da igualdade de tratamento dada a todas as religiões no Brasil, uma mostra da diversidade cultural e étnica do país, mas acima de tudo, é a demonstração da laicidade do Estado brasileiro.

Recentemente, na  França uma comissão quis proibir o uso de véu em escolas públicas, é uma deturpação da laicidade, a manifestação religiosa pessoal ou coletiva deve ser assegurada pelo Estado, não reprimida. Por mais que a medida atingisse também  solidéus judaicos e crucifixos cristãos, a medida era abertamente uma perseguição aos pobres imigrantes muçulmanos do norte da África. A posição foi ainda mais espantosa por considerar o véu como opressor, uma indevida opressão cultural sobre os costumes dos povos muçulmanos. (É bem verdade que alguns países árabes a vestimenta é usada como forma de opressão, mas a escolha pelo véu jamais poderia ser proibida. A posição da comissão partiu de um desconhecimento e preconceito ocidental.)

Jovens muçulmanas protestam a favor do uso de véus nas escolas francesas, em Estrasburgo, na França, em 2003.

Tem pessoas que misturam as coisas, tem pessoas que propositalmente confundem as coisas. A liberdade é de culto e de fé, a manifestação religiosa pode ser feita em qualquer lugar, porém não pode o Estado ter preferência em relação a qualquer religião. Pode um deputado receber um espírito em plenário, como o deputado Luiz Carlos Bassuma (PT-BA) recebeu em uma sessão solene que homenageava Allan Kardec? Pode! Aliás, pode uma sessão homenagear Allan Kardec ? Pode, assim como também pode homenagear Buda ou Jesus Cristo.  O que não pode é um Estado laico ter cruzes, crescentes ou estrelas de Davi em posição de destaque nos seus espaços institucionais.

Escrito por jlzasso

03/02/2010 em 00:28

Publicado em História, Política, Religião

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2010: Um ano sombrio

com um comentário

Demorei para fazer um texto aqui em 2010. O Rodrigo,  um colega de apartamento em Santa Maria, sustenta a tese de que o ano de 2010 não começará, como de costume, depois do Carnaval, mas depois da Copa do Mundo. Pode até ser, e a Copa, obviamente, renderá muita notícia e muita discussão em 2010, porém o real motivo do título deste post não é uma referência à disputa da maior competição de futebol do mundo, e sim à atuação da imprensa na campanha eleitoral, que desde já está embrulhando o estômago daqueles que conseguem perceber certas artimanhas.

Não quero neste post tomar partido de um ou de outro provável candidato,  nem simplesmente fazer o discurso simplório acusando a mídia de golpista. São dois os fatos que demonstram como poderá ser o ano de 2010:

O Preview tivemos ainda em 2009, quando César Benjamin, um dissidente magoado do PT, candidato a vice-presidência na chapa de Heloísa Helena em 2006, usou de sua coluna na Folha de S. Paulo para atacar o presidente da república, divulgando como verdadeira uma piada (de péssimo gosto, é verdade) contada por Lula na campanha eleitoral de 1994.

(Na virada do ano ainda tivemos o “Caso Casoy” estranhamente o apresentador ainda segue Band, espero que os telespectadores o punham pelo método mais eficaz, deixando de olhar o péssimo Jornal da Band.)

2010 começa com as discussões acerca do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, houve dois desses no governo Fernando Henrique. O plano atual é mais audacioso, a exemplo de outros países, a Argentina recentemente, o Brasil se propõe a rever a lei de anistia para o agentes do Estado que cometeram crimes de lesa humanidade. Foi o estopim para uma crise no ministério da Defesa.

O plano vai mais longe, trata de questão de direitos humanos nos conflitos rurais, por exemplo. É uma evolução, com toda a certeza. Ninguém mais lembra do massacre em Carajás, no Pará? Já esqueceram a morte pela costas de um trabalhador rural sem-terra em São Gabriel? Um país com concentração de terras na mãos de poucos e com conflitos agrários com histórico de desrespeito aos direitos fundamentais do homem pode prescindir de um plano de Direitos Humanos que aborde a questão agrária?

Lia a pouco no blog Vi o Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, uma análise sobre como o Jornal Nacional abordou o tema “imprensa” comparando os programas de direitos humanos na era FHC e agora no governo Lula. Simplesmente perfeita! Eis o link: http://www.viomundo.com.br/opiniao/fhc-pune-de-acordo-com-a-lei-lula-limita-acompanha-suspende-e-cassa-a-imprensa/

E reportagem lembra demais o fatídico debate de 1989 entre Lula e Collor. Cheira ao puro golpismo. A começar por tratar o tema como imprensa: o PNDH não influiu sobre a imprensa, influiu sobre as concessões públicas de rádio de rádio e TV, concessões que pertencem ao Estado brasileiro, e que naturalmente o governo, como representante legítimo do Estado, deve fiscalizar e regulamentar. Como Estado signatário de acordos internacionais que tratam da questão, o Brasil não pode aceitar que sejam usadas concessões públicas para ferir os direitos humanos, e isso é deixado claro nos três planos. A novidade talvez seja o Conselho de Comunicação Social no âmbito do legislativo federal, a efetivação deste conselho foi uma das resoluções da Confecom em dezembro de 2009 e aparece novamente no 3º Plano Nacional de Direitos Humanos. Só que isso não se trata de uma questão surgida agora, é apenas o cumprimento do artigo 224 da Constituição Federal de 1988.

Como mostrou o caso de César Benjamin, e como mostra as reportagens sobre o importante PNDH, o ano de 2010 será um sombrio ano pela atuação da imprensa, onde a campanha eleitoral e a preferência por um ou outro modelo de gestão estará colocada acima da verdade dos fatos.

P.S: ainda em tempo, li sobre o mesmo plano no Le Monde, principal jornal francês. A diferença é impressionante! A reportagem é concluída da forma mais realista, avançar no PNDH é reforçar que o Brasil está consolidando a democracia.

Escrito por jlzasso

13/01/2010 em 04:07

Carta Aberta de Sílvio Tendler ao ministro Nelson Jobin

com um comentário

Ao Ministro da Defesa Exmo. Dr. Nelson Jobim

Invado sua caixa de mensagem pedindo atenção para um tema que trata do futuro, não do passado. O Sr. me conhece pessoalmente e lembra-se de que quando fui Secretário de Cultura de Brasília, no ano de 1996, o Sr. era Ministro da Justiça e instituiu e deu no Festival de Cinema Brasília um prêmio para o filme que melhor abordasse a questão dos Direitos Humanos. Era uma preocupação comum a nossa.

Por que me dirijo agora ao senhor? Um punhado de cidadãos -̶ hoje somos mais de dez mil -̶ assinamos um manifesto afirmando que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado Brasileiro devem ser julgados e punidos por seus atos, contrários aos mais elementares sentimentos da nacionalidade. Agimos em nome da intransigente defesa dos direitos humanos. O Sr., Ministro da Defesa, homem comprometido com a ordem democrática, eminente advogado constitucionalista, um dos redatores e subscritores da Constituição de 1988, hoje em ação concertada com os comandantes das forças armadas, condena a iniciativa de punir torturadores pelos crimes que cometeram.

Este gesto, na prática, resulta em dar proteção a bandidos que desonraram a farda que vestiam ao torturar, estuprar, roubar, enriquecer ilicitamente sempre agindo em nome das instituições que juraram defender. É incompreensível que o nosso futuro democrático seja posto em risco para acobertar crimes praticados por bandidos o que reforça a sensação de impunidade. Ao contrário do que afirmam os defensores da impunidade dos torturadores. O que está em juízo não é o julgamento das forças armadas, como afirmam os que as querem arrastar para o lodo moral que mergulharam. Agora pretendem proteger sua impunidade, camuflados corporativamente em nome da honra da instituição.

Um pouco de história não faz mal a ninguém. Não está em questão que para consumar o golpe de 64, os chefes militares de então tiveram que expurgar das forças armadas milhares de homens entre oficiais, sub-oficiais e praças cujo único crime foi defender o regime constitucional do país. Afastaram da vida política brasileira expressivas lideranças, cassando direitos políticos e mandatos parlamentares ou sindicais. Empurraram milhares de cidadãos, na imensa maioria jovens, para a ação clandestina que desembocou na luta armada.

De qualquer maneira os golpistas de 64 protegidos pela lei de anistia não serão anistiados pela história. Fecharam e cercaram o Congresso Nacional. Inventaram a excrescência chamada de Senador Biônico para não perder, pelo voto, o controle do Senado em plena ditadura militar. Os chefes militares podem ficar tranqüilos que seus antecessores não irão para a cadeia pelos crimes que cometeram contra um país, contra uma geração inteira, a minha, que desaprendeu a falar e pensar em liberdade. Nada disso está em juízo. Vinte e cinco anos depois de iniciada a transição democrática, o que está em juízo não é o processo de anistia política.

Tranqüilize seus colegas militares, ministro. O regime militar não está sendo julgado pela quebra do sistema público de saúde ou pela quebra do sistema educacional. Estamos pedindo a punição contra criminosos comuns por crimes de lesa humanidade. Queremos o julgamento e condenação da prática de crimes hediondos. Só isso. Assusta a quem? Em nome do quê o Brasil será eternamente refém de bandidos? O que justifica acobertar crimes condenados por todos os códigos, normas e tribunais internacionais em matéria de direitos humanos? O Sr. deve estar se perguntando o porquê do meu empenho nesta causa. Vou lhe contar.

Despontei pra a vida adulta baixo a ditadura militar. Em 1964, tinha 14 anos e cresci sob o signo do medo. Sou de uma família de judeus liberais, meu pai advogado e minha mãe médica. Invoco as raízes judaicas porque meus pais eram muito marcados pelo holocausto, pelos crimes nazistas cometidos contra a humanidade. Tínhamos muito medo das soluções autoritárias. Eu queria viver num país livre e tinha sentimentos de profunda repugnância a ditaduras. Meus amigos também eram assim. Participei de passeatas, diretórios estudantis e cineclubes. Queria derrubar a ditadura fazendo filmes. Acreditava que era possível. Em 1969, um companheiro de Cineclubismo seqüestrou um avião para Cuba. Não tive nada a ver com isso. Desconhecia as intenções e a organização do seqüestro. Meu crime foi ser amigo – sim, meu crime foi o de ser amigo de um seqüestrador. Quase fui preso e morreria na tortura sem falar, não por ato de bravura, mas por absoluto desconhecimento de causa. Não pertencia a nenhuma organização revolucionária. Não sabia nada sobre o seqüestro.

Escapei dessa situação pela coragem pessoal de minha mãe que driblou os imbecis fardados que foram me prender e consegui fugir de casa nas barbas da turma do Ministério da Aeronáutica que, naquele momento, ao invés de dedicar-se a cumprir sua missão constitucional de proteger nossas fronteiras, prendiam, torturavam e matavam estudantes. Tive também a ajuda do Coronel Aviador Afrânio Aguiar que empenhou-se até a medula para que não fosse preso e massacrado na Aeronáutica. A ele dedico meu filme mais recente “Utopia e Barbárie”. Sem ele, dificilmente estaria contando essa história hoje aqui. Outras pessoas também me ajudaram a sair vivo dessa história mas como não tenho autorização para citá-los e estão vivos, guardo nomes e lembranças no coração.

Em 1970 fui viver no Chile por livre e espontânea vontade. Saí do Brasil legalmente com passaporte, ainda que tenha ido ao DOPS explicar por que saía do Brasil. Eles sabiam as razões pelas quais saía (como é cantado na música, “Não queria morrer de susto, bala ou vício”). Em Janeiro de 1971,do Chile, mandei uma carta para minha mãe, trazida por uma portadora, senhora de boa cepa, que fora visitar o filho no exílio em um gesto humanitário se ofereceu, ingenuamente, para trazer correspondência para os familiares dos exilados. O gesto lhe custou prisão e “maus tratos” nas dependências da aeronáutica. Na carta pedia a minha mãe que me enviasse livros e minha máquina de escrever. A carta foi entregue em Copacabana por militares do Doi-Codi que arrombaram minha casa, arrombaram móveis a procura de metralhadora (Assim entenderam “máquina de escrever”). Minha mãe foi levada para o quartel da PE na Barão de Mesquita, onde foi humilhada e um dos “patriotas”que a conduziu assumiu de forma permanente a guarda do relógio que entrou com ela na PE e não voltou para casa. Amigos ocultos numa rede de gente decente ajudaram a tirar minha mãe daquela filial verde oliva do inferno.

Sim ministro, havia muita gente decente nas forças armadas ou que gravitavam em torno dela e que faziam o que podiam para ajudar pessoas. A maioria, prefere, até hoje, não revelar seus gestos por medo dos que praticando atos dignos dos piores momentos da máfia intimidam e atemorizam pessoas de bem. Pior do que o relógio foi o destino do ex-deputado Rubens Paiva que foi preso no mesmo dia e nunca mais encontrado. Os senhores fazem muita questão mesmo de proteger os canalhas que seqüestraram e assassinaram o ex-deputado pelo crime de ter recebido correspondência pessoal de exilados no Chile? A quem interessa essa “Omertá”? Ministro, para esses crimes não há justificativa e menos O que leva a chefes militares e o Ministro da Defesa a se pronunciarem contra a apuração de crimes? Tortura, estupro, morte, muitas vezes seguido de roubo, são atos políticos passíveis de anistia?

Desculpe a franqueza, mas não consigo entender. Em nome do futuro democrático do Brasil , espero que a banda podre, montada no Dragão da Maldade, não saia vitoriosa.

Os chefes militares pronunciam-se a favor do pagamento de reparações às vitimas do arbítrio como um ato indenizatório. Pagamento este feito com recursos públicos desviado de finalidades mais nobres para ressarcir prejuízos causados por canalhas que deveriam ter seus bens confiscados e pagarem com recursos próprios os crimes que cometeram. Muitas empresas que se locupletaram durante a ditadura e inclusive financiaram o aparato repressivo poderiam participar dessas indenizações. No meu caso, ministro, posso lhe dizer que não há dinheiro que feche essa conta. Não pedi anistia nem indenização porque acho que não sou merecedor (nunca fui exilado, nunca me apresentei assim). E vivo bem com meu trabalho de cineasta há quarenta anos e professor universitário há 31. Se fosse pago com recursos dos bandidos, aceitaria de bom grado. Recursos públicos não. Cada centavo que aceitasse, me sentiria roubando de uma criança ou de um homem ou uma mulher humildes que precisam mais desse dinheiro numa escola pública, num posto médico, do que eu. Não recrimino quem, por necessidade ou sentimento de justiça, o faça.

A reparação que peço é a punição exemplar dos torturadores da minha mãe. O senhor há de concordar que não estou pedindo muito nem nada despropositado. E quando digo que penso no futuro e não no passado é porque a punição exemplar de criminosos desestimulará semelhantes práticas no futuro e terá uma função pedagógica para os que caiam em tentação de uso indevido dos poderes do Estado, que entendam que não vivemos no país da impunidade.Justiça, peço apenas justiça.

Bom 2010 para o sr.

Atenciosamente,
Silvio Tendler

Escrito por jlzasso

09/01/2010 em 17:54

Síndrome da Carne de Vaca Eleitoral

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Publicado originalmente no “A Contratio” em 5 de Novembro de 2008, por ocasião da vitória de Barack Obama.

Eu sempre gostei do agora presidente-eleito dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, mas gostava muito mais de Obama quando ele era um desconhecido senador do estado de Illinois, e só se falava em Hillary Clinton. Claro que o candidato a presidência saíria do Partido Democrata, John McCain, um veterano de guerra, senador assim como Obama, ou qualquer outro candidato republicano estaria fadado ao fracasso nas urnas, é a herança deixada após 8 anos de um saturado governo Bush. Por isso torcia por Barack Obama, pois sabia que se fosse o candidato democrata venceria, claro que o apelo de um presidente negro faria a campanha crescer ainda mais e tornaria a eleição histórica, eu confesso que além disso, tinha uma simpatia pelo seu irônico nome, um nome árabe, com sobrenomes que remetem aos dois maiores inimigos dos EUA, seria demais para a sucessão de George W. Bush. Mas a Obamania me irrita…

Hillary teria personalidade na Casa Branca, mas mulheres de ex-presidentes já tivemos aos montes no mundo, e todos sabemos que as administrações ficam marcadas pela sombra de seus maridos, o mesmo vale para viúvas de ex-presidentes. Algumas mulheres também governam como homens, não são mulheres que estão no poder, são machos, e muito machos, tanto quanto Edinanci Silva ou Rebecca Gusmão, como exemplos: Margareth Thatcher, Angela Merkel, Yeda Crusius (sai capeta!!!).

 

Mas se não haveria um (desculpa governadora) novo jeito de governar por ser a ex-primeira-dama a primeira mulher a assumir o posto mais cobiçado da América, também não haverá por Obama, e quem anseia por isso, terá uma grande frustação, o novo presidente não será muito diferente de outros, haverá mudança, palavra central de sua campanha, mas nada muito fora do habitual.

O próprio fato de um presidente negro é uma evolução natural, não um efeito isolado, o presidente Bush, por exemplo, teve dois negros fundamentais em seu mandato, os dois secretários de estado de sua administração foram de origem afro, e a Condoleezza Rice ainda somava a condição de mulher, mas isso não foi motivo para ser diferente de um homem branco conservador e bélico como o vice-presidente Richard Bruce “Dick” Cheney, já o ex-secretário e general da reserva Colin Powell, figura importante da primeira parte da admisnitração Bush, é um negro consagrado, veterano de guerra, comandante da ação militar na primeira Guerra do Golfo e um pacifista nato, foi meio como um peixe fora d’água depois de um tempo no governo Bush.

Espera-se que Obama mude a política internacional, que dê segurança para a economia, que mude a política em relação aos imigrantes, que retire as tropas do Iraque, espera-se tudo de Obama, força e apoio popular ele possui, vontade parece que também… Ele é o homem certo para as mudanças, não por ser Barack Obama, mas pelo contexto em que foi eleito. Dá pra se dizer que como em 2002 no Brasil, a “esperança venceu o medo”, mas seguindo na mesma linha, agora “deixa o homem trabalhar”.

Escrito por jlzasso

24/11/2009 em 17:34

Publicado em História, Política

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Brasil: Protagonismo Mundial

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Em 1947, a II Assembleia Geral da ONU, presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha, aprovava o Plano para a Partição da Palestina, que criaria o Estado de Israel no Oriente Médio, na extremidade sudeste do mar Mediterrâneo.

Os judeus em 70 d.C haviam deixado as terras palestinas, na chamada segunda diáspora, e espalharem-se pelo mundo. Foram tolerados em certas épocas, perseguidos em outras. Na Segunda Grande Guerra, mais de 60 milhões morreram nos campos de extermínio dos nazistas. Os sobreviventes ganharam um estado soberano nas terras que a quase 1900 anos haviam deixado para trás. O mundo tentava então pagar uma dívida histórica com o povo judeu. Porém, o não respeito aos povos que legitimamente ocupavam a região, foi o estopim de uma nova disputa.

Nos mais de 60 anos que seguiram a criação do Estado de Israel, não tiveram os palestinos a justa criação de um Estado próprio na região. Os Estados Unidos sempre tiveram o papel de mediador, porém a promiscua relação com o governo israelense foi motivo de desconfiança e até de ódio por parte do povo árabe.

Almejando ocupar um cargo permanente no Conselho de Segurança da ONU e buscando cada vez um novo equilibrio de força e um protagonismo na diplomacia mundial, o Brasil se apresenta como a alternativa para a mediação de uma questão iniciada logo após a Segunda Guerra. Em pouco menos de um mês o Brasil recebeu a visita de Shimon Peres ( presidente de Israel), Mahmoud Abbas (presidente da autoriedade palestina) e  Mahmoud Ahmadinejad (presidente do Irã). Os três pediram ao Brasil que atue como mediador no conflito. Sinal do prestigio de nosso corpo diplomático e do reconhecimento internacional da ascensão brasileira como um líder mundial.

Alguns teimam em tratar o cancheler brasileiro, Celso Amorin, como o “megalomaníaco”, mas esquecem que nunca tivemos uma posição tão destacada na política internacional, e nunca fomos tão forte econômica, política e diplomaticamente. Com Lula e Amorin o Brasil quis buscar e esse papel e hoje colhe os frutos.

Ontem, ao receber o presidente iraniano choveram críticas ao governo brasileiro. Mahmoud Ahmadinejad é apontado como financiador de grupos terroristas anti-Israel e de propor uma política nuclear bélica para o Irã. Aqueles que não suportam a ideia de um Brasil expressivo no contexto geopolítico, queria impedir a entrada de um chefe de governo no país, mesmo se tudo que se fala de Ahmadinejad for verdade, é acertada a posição brasileira de buscar o diálogo multilateral com os países envolvidos.

Não sei o quanto podemos contribuir para a paz no Oriente Médio. Acredito que depende muito mais dos países da região, mas fechar a porta para o Estado de Israel (mesmo que esse descumpra a Convenção de Genebra, mate civis e destrua prédios da Cruz Vermelha), para a Autoriedade Palestina ou para o já citado polêmico presidente do Irã, é um erro que não podemos cometer.

Escrito por jlzasso

24/11/2009 em 04:55

Primeiro de abril: Segundo “O Globo”, nascia um paraíso

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Texto publicado originalmente no blog “vi o mundo” do jornalista Luiz Carlos Azenha

editorial de “O Globo”, em 02/04/1964

Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.

Fonte: http://www.viomundo.com.br/contraponto/primeiro-de-abril-segundo-o-globo-nascia-um-paraiso/

Escrito por jlzasso

01/10/2009 em 14:51

Publicado em História, Política

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