Arquivo para junho 2011
#MarchaDaLiberdade: Possibilidades e Limitações da Mobilização Pela Internet
Tirando, depois de muito tempo, o pó do Contextualizado. Não que eu esteja afastado das ditas “mídias sociais”, muito pelo contrário, mas tenho me dedicado muito mais ao Blog, ao Facebook e ao Twitter do DCE da UFSM.
Falando em DCE da UFSM, nas últimas semanas estivemos mobilizando para a Marcha da Liberdade em Santa Maria. Sendo justo, não apenas o DCE, mas coletivos como o Macondo Coletivo, o Coletivo Verde e que contou com a presença de alguns DAs, forças do Movimento Estudantil (Reconquistar a UNE, Barricadas) e também juventudes partidárias do PSOL e do PT. Sem sombra de dúvidas, o Movimento teve êxito, mais de 400 pessoas nas ruas de Santa Maria, pela liberdade e unindo pautas que iam do combate ao machismo e à homofobia, a luta contra o aumento da passagem à liberação da maconha.
Por mais que tenhamos tido uma boa articulação com o Movimento Hip Hop e com o Movimento LGBTT, na maioria éramos todos jovens de classe média e estudantes universitários. De certa maneira, isso demonstra que a divulgação prioritariamnte online surtiu efeito, mas mesmo durante a marcha era possível perceber que a maioria das pessoas por onde a marcha passava não estava entendendo o que acontecia. Ao passar pelo tradicional Calçadão de Santa Maria, as pessoas demonstravam total desconhecimento do que estava acontecendo, eram nítidas expressões de dúvida nos rostos de comerciários, pessoas de meia-idade, idosos, da população de maneira geral.
A intensa campanha que fizemos em um Twitter com mais de 2700 seguidores, em um Facebook com mais de 3600 amigos, a campanha que igualmente foi feita por todas as mídias sociais de todos os coletivos atingiu um público que compareceu, e isso demonstra que a Internet tem, sim, um bom potencial de mobilização, que é possível mesmo sem espaço na mídia tradicional, sem espaço nas rádios comerciais, nos canais abertos de TV e nos jornais de circulação diária. A Internet também tem suas limitações, não está ainda acessível para todos e outras formas de mobilização não podem ser descartadas ou colocadas em segundo plano, e a Marcha cometeu esse deslize, as pessoas que hoje estão no Facebook não me parecem ser a nossa grande esperança para a construção de um mundo mais justo.
Acredito no fortalecimento da internet para a construção de uma comunicação diferente, mobilizadora, e diria até contra-hegemônica, mas também nesse debate não podemos esquecer de pontos importantes, não podemos achar que ao ampliar o acesso à internet vamos deixar de cobrar o controle social das concessões de rádio e TV, a desburocratização da outorga das concessões de Rádios e TVs comunitárias e de ser contra a propriedade cruzada de empresas de comunicação. Por fim, indico o excelente texto do jornalista britânico Malcolm Gladwell, a Revolução não será tuitada.